Passeio matinal
foto de PRO sol quente da manhã convida-me a prolongar o passeio matinal para além do habitual. Há mais pessoas na rua. Talvez por ser fim-de-semana. Talvez por estar bom tempo. Talvez por se aproximar o Verão e as gordurinhas acumuladas nos últimos meses incomodarem, hoje mais que ontem, ao sobressaírem na camisola fina, vestida tendo em conta o dia ameno.
Os velhinhos são os mesmos. Sorrio-lhes. Retribuem com um “Bom dia, menina.”
Continuo a marcha com um desinteresse, aparente, ao movimento.
Os velhinhos são os mesmos. Sorrio-lhes. Retribuem com um “Bom dia, menina.”
Continuo a marcha com um desinteresse, aparente, ao movimento.
Observo o mar. Sempre lá, longe dos transeuntes, indiferente às mudanças sucessivas da paisagem nos últimos tempos. Descubro os surfistas. Pontos negros harmoniosamente envolvidos na espuma branca do mar. Será que a água está fria? Sou tentada a descer à praia. Verifico que uma qualquer maré viva levou consigo a escada de acesso. Fico presa no paredão. Não me apetece aventurar-me pelos enormes pedregulhos. Sento-me. Fecho os olhos. Inspiro o ar fresco. Sou invadida por uma enorme sensação de bem-estar.
Apetece-me, de repente, um café. Está na altura de regressar.
Citações:
(…)
olhar o céu e ver mais que azulado
esse ar que ainda respiro, esse ar imundo
por quantos que me ignoram respirado;
porque não espero, espero contentado.
(Jorge de Sena)