terça-feira, 27 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
Luz [1]
Tantas foram as vezes que fez aquele caminho que quase podia dar nomes às pedras por onde passa. Hoje, no entanto, tudo lhe parece diferente. Não reconhece as árvores e o vento traz um odor diferente. Entardece. Sempre gostou do crepúsculo. Caminha sem pressa. Procura ocupar a mente mas o som dos passos, no caminho de terra batida, só lhe traz o vazio. Vazio de pensamentos. Vazio de emoções. Vazio. Só vazio. Tão vazio que se vê obrigado a forçar uma memória. O rosto. Não o dela. O olhar. Não o dela. A voz. Não a dela. Tanto tempo no consultório e só recorda uma frase: “O tumor é maligno”. A seguir a dor. A dor da certeza. A dor da dúvida. A dor. A sua dor. Não a dela. A dela não. A dela nunca. Não é só a dor. É o sofrimento. O seu. Não o dela. O dela não. O dela nunca. O sofrimento agora. O seu. O dela não. O dela nunca. Acelera o passo. Não tem pressa mas não se quer atrasar. Não o faz por si. Fá-lo por ela. Ela será ainda feliz. Ele já não. Já não pode. Já não quer. Já é tarde. Não se pode atrasar. Nunca se atrasou.
Determinado descalça-se. Arruma os sapatos. Direitos. Lado a lado. Sempre arrumou aprumadamente os sapatos depois de os descalçar. Hoje não é diferente. Depois de a beijar, pousa cuidadosamente a aliança na borda. Sobe com alguma dificuldade para cima desta. Observa o reflexo da sua imagem no fundo. Não pensa em nada. O vazio. Outra vez o vazio. Ele, o poço e o vazio. Ela. Quer pensar nela. O seu rosto. O seu olhar. A sua voz. É ela, a Luz. Também a sua luz. O vazio enche-se de medo. Enche-se de horror. Enche-se de dor. De medo. De horror. De dor. Nada. Outra vez nada. Finalmente o vazio.
Determinado descalça-se. Arruma os sapatos. Direitos. Lado a lado. Sempre arrumou aprumadamente os sapatos depois de os descalçar. Hoje não é diferente. Depois de a beijar, pousa cuidadosamente a aliança na borda. Sobe com alguma dificuldade para cima desta. Observa o reflexo da sua imagem no fundo. Não pensa em nada. O vazio. Outra vez o vazio. Ele, o poço e o vazio. Ela. Quer pensar nela. O seu rosto. O seu olhar. A sua voz. É ela, a Luz. Também a sua luz. O vazio enche-se de medo. Enche-se de horror. Enche-se de dor. De medo. De horror. De dor. Nada. Outra vez nada. Finalmente o vazio.
despedaçado pela
CaCo
at
26.3.07
10
deixaram pedaços
marcadores: conto
segunda-feira, 19 de março de 2007
sexta-feira, 16 de março de 2007
O Estimador
Provavelmente vou começar a postar com menos frequência. Valores mais altos se levantam.
Há uns anos atrás, eu perguntava: O que é a Tese?

Hoje pergunto: O que vou comer sem ela?

Fotos daqui.
despedaçado pela
CaCo
at
16.3.07
10
deixaram pedaços
marcadores: doutoramento
segunda-feira, 12 de março de 2007
Passeio matinal
foto de PRO sol quente da manhã convida-me a prolongar o passeio matinal para além do habitual. Há mais pessoas na rua. Talvez por ser fim-de-semana. Talvez por estar bom tempo. Talvez por se aproximar o Verão e as gordurinhas acumuladas nos últimos meses incomodarem, hoje mais que ontem, ao sobressaírem na camisola fina, vestida tendo em conta o dia ameno.
Os velhinhos são os mesmos. Sorrio-lhes. Retribuem com um “Bom dia, menina.”
Continuo a marcha com um desinteresse, aparente, ao movimento.
Os velhinhos são os mesmos. Sorrio-lhes. Retribuem com um “Bom dia, menina.”
Continuo a marcha com um desinteresse, aparente, ao movimento.
Observo o mar. Sempre lá, longe dos transeuntes, indiferente às mudanças sucessivas da paisagem nos últimos tempos. Descubro os surfistas. Pontos negros harmoniosamente envolvidos na espuma branca do mar. Será que a água está fria? Sou tentada a descer à praia. Verifico que uma qualquer maré viva levou consigo a escada de acesso. Fico presa no paredão. Não me apetece aventurar-me pelos enormes pedregulhos. Sento-me. Fecho os olhos. Inspiro o ar fresco. Sou invadida por uma enorme sensação de bem-estar.
Apetece-me, de repente, um café. Está na altura de regressar.
Citações:
(…)
olhar o céu e ver mais que azulado
esse ar que ainda respiro, esse ar imundo
por quantos que me ignoram respirado;
porque não espero, espero contentado.
(Jorge de Sena)
despedaçado pela
CaCo
at
12.3.07
16
deixaram pedaços
marcadores: passeio matinal; crónica
quinta-feira, 8 de março de 2007
segunda-feira, 5 de março de 2007
O baú da memória [2] - (Des)Ilusões
São as pessoas que amamos que mais facilidade têm em desiludir-nos. É às pessoas que amamos que, com maior facilidade, desiludimos.
Só nos desilude quem nos cria ilusões. Só desiludimos a quem criamos ilusões.
Se a ilusão é uma coisa que não existe, porque nos desiludimos?
E a propósito de tudo isto e do post anterior, fui ao baú da memória buscar um livro que marcou a minha adolescência. Um livro sobre a capacidade que um homem tem em acreditar, em ter fé, que pode fazer o que quiser e ser o que quiser. Ilusões, de Richard Bach.
Citações:
Só nos desilude quem nos cria ilusões. Só desiludimos a quem criamos ilusões.
Se a ilusão é uma coisa que não existe, porque nos desiludimos?
E a propósito de tudo isto e do post anterior, fui ao baú da memória buscar um livro que marcou a minha adolescência. Um livro sobre a capacidade que um homem tem em acreditar, em ter fé, que pode fazer o que quiser e ser o que quiser. Ilusões, de Richard Bach.
Citações:
"Todas as pessoas, todos os acontecimentos da tua vida estão lá porque tu os levaste para lá. O que decidires fazer com eles depende unicamente de ti." – Richard Bach
despedaçado pela
CaCo
at
5.3.07
16
deixaram pedaços
marcadores: lembranças
Subscrever:
Mensagens (Atom)
